Remessa Online: plataforma redesenhada para escalar
Como redesenhei a arquitetura da informação, o onboarding e os principais fluxos de uma plataforma de quase 7 anos para reduzir atrito, aumentar a confiança e elevar a satisfação dos clientes para 4,2 em uma escala de 1 a 5.
avaliação geral da nova experiência
encontraram tudo o que procuravam
abandono no fluxo de cadastro
aprovação automática de documentos
Resumo rápido
A Remessa Online cresceu por quase sete anos em cima da mesma base de produto. Isso trouxe inconsistências de usabilidade, arquitetura da informação confusa e uma escalabilidade cada vez mais limitada — tanto para o time evoluir o produto quanto para o cliente concluir tarefas simples.
Redesenhei a plataforma inteira com um Design System próprio, um onboarding orientado por etapas e uma navegação reorganizada por relevância. O resultado foi uma experiência com menos abandono, mais aprovação automática de documentos e nota 4,2 dos clientes — sem perder a percepção de segurança que a marca já tinha.
Plataforma antiga da Remessa Online
O contexto
A plataforma web da Remessa Online é onde o cliente cadastra, envia e acompanha remessas internacionais. Por ser um produto financeiro, cada ponto de fricção — um campo confuso, uma navegação inconsistente, uma dúvida não respondida — custa caro em confiança, não só em conversão.
Objetivo: eliminar as limitações estruturais acumuladas em sete anos de produto e criar uma base escalável para sustentar a evolução da plataforma e do negócio.
Meu papel
Fui o designer responsável por todo o projeto: Discovery, definição da arquitetura da informação, UX/UI, pesquisas, aplicação do Design System, alinhamento com Produto e Engenharia e acompanhamento após o rollout.
O problema
O desafio não era só "modernizar a interface". Era destravar um produto que tinha crescido mais rápido do que sua própria estrutura.
O onboarding era longo, pouco orientado, e as limitações técnicas geravam alta fricção logo na entrada.
A experiência oferecia pouca personalização e feedbacks insuficientes ao longo da jornada.
A navegação não era escalável — terminologia inconsistente, funcionalidades organizadas de forma confusa.
A ausência de um Design System criava inconsistência visual e encarecia cada nova evolução do produto.
Definições
A decisão central não foi visual — foi de risco. Mudanças estruturais de interface e arquitetura da informação geram resistência mesmo quando são uma melhoria real. Então, em vez de trocar a experiência de uma vez, tratamos a transição como parte do design: rollout gradual, começando em 5% da base, com a opção de o cliente voltar à versão antiga sempre que quisesse.
Mudança de interface não é o risco. Mudança sem controle do usuário, sim.
Estratégia de design
Diagnóstico
Consolidei pesquisas, feedbacks de clientes e análises da experiência existente para mapear os principais fatores que travavam a evolução do produto.
Benchmark orientado por comportamento
Analisei concorrentes diretos e indiretos, além de fintechs e bancos digitais, buscando padrões de usabilidade, confiança e boas práticas de UX/UI.
Construção com Design System
Redesenhei a plataforma usando um Design System desenvolvido com o time de design, garantindo consistência entre área não logada, área logada e todos os fluxos operacionais.
Princípios antes de telas
Defini 7 princípios para guiar todas as decisões do redesign:
Escalabilidade: Construir uma plataforma pronta para crescer.
Encontrabilidade: Facilitar a descoberta de funcionalidades.
Personalização: Mostrar o que é mais relevante para o caso de uso do cliente.
Orientação: Reduzir dúvidas em jornadas financeiras complexas.
Visibilidade: Reduzir a ansiedade durante operações.
Consistência e clareza: Componentes consistentes, reduzindo o esforço cognitivo.
Controle e liberdade: Caminhos claros para desfazer ações, cancelar ou voltar.
Decisões de design
Stepper no cadastro
Para dar visibilidade ao progresso e reduzir a incerteza de quem está entrando na plataforma.
Menu lateral fixo
Para colocar a estrutura principal do produto em primeiro plano e sustentar a escalabilidade da navegação.
Home modular por relevância
Para permitir personalização e testar diferentes priorizações de conteúdo.
Extrato e beneficiários em tabela
No lugar de cards horizontais, para comparação e escaneabilidade mais rápidas.
Central de notificações no header
Para reduzir a dependência do e-mail como canal único de comunicação.
Grid unificado em todo o produto
Para consistência visual e menor carga cognitiva entre jornadas.
Qualificação no onboarding orientando a home
Para mostrar o que é mais relevante para o caso de uso de cada cliente.
Área não logada
Onboarding em etapas visíveis, UX Writing mais conversacional, orientação contextual para envio de documento e máscara de captura no mobile.
Área logada
Navegação, home, extrato, beneficiários, vídeos explicativos, central de notificações e grid unificados sob o mesmo Design System.
Resultados
avaliação geral (2.040 respondentes)
facilidade em realizar o que veio fazer no site
encontraram tudo o que procuravam
abandono no fluxo de cadastro
aprovação automática de documentos de identificação
taxa de retorno à versão antiga durante o rollout
Percepção qualitativa: mais moderna, mais fácil, mais transparente — sem perder a confiança que a marca já tinha construído.
Aprendizados
Redesenhar uma interface é a parte visível. A parte difícil é redesenhar sem quebrar a confiança de quem já usa o produto.
Esse projeto mostrou que melhorar a experiência do cliente exige repensar a estrutura do produto, validar decisões continuamente e conduzir a mudança de forma gradual — equilibrando valor para o usuário e segurança para o negócio.